Desculpe o transtorno, mas não precisamos falar sobre

terça-feira, 13 de setembro de 2016


O Gregório Duvivier zerou a internet outro dia ao escrever um texto para sua ex-namorada, Clarice. Foi o suficiente para surgirem vários posts, memes, piadas, declarações, mais textões e claro, críticas.

“Desculpe o transtorno” causado por Gregório, ao que tudo indica, foi uma jogada de marketing para o lançamento do seu filme. Sendo ou não, achei assustador e não desejei ser/estar na pele da Clarice.

Diz o bom e velho ditado popular que se ex fosse bom seria presente e eu defendo isso. Vivemos, foi bom, mas ficou lá atrás. Talvez guardado numa caixinha especial, daquelas que escondemos no fundo do baú para não vermos mais.

 Admiração e respeito, talvez, sempre existirão e isso é saudável, até. Mas, sentir falta, da forma que está exposto ali – repito - é assustador.

Não sinto falta do que ficou lá atrás. Gosto do presente e tenho receio do futuro. Meu passado não me atrai (e posso dizer até que nem me orgulha). Já o presente me desafia e é nele que eu foco.

Me desafia combinar um almoço, chegar em casa, não ter nada pronto, eu ficar chateada e perder a razão.

Desafia marcar às 18h e chegar às 19h30 porque fiquei presa numa reunião.

Me agrada a ideia de começar uma academia, mesmo não sabendo ao certo quando devo começar (mas tenho que começar).

Me anima saber que por mais que o dia tenho tido 48 horas, no fim das contas tudo vai estar bem.

Mas o que me deixa muito contente é saber que posso falar disso tudo no presente e não no passado, porque eu não perdi, não deixei passar,

Ainda...

Mas, sobre isso, não precisamos falar.
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Quando não se tem um manual

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015


Sabe aqueles textos que a gente lê que dizem sobre "10 dicas de como amar alguém pra sempre", "Como conseguir o amor em 12 passos", "Ame ou Odeio, os caminhos do amor"? Pois é, não passam de palavras.

Hoje, tudo que eu sempre escrevi, falei ou pensei veio por água a baixo. Eu brinco dizendo que meus melhores textos sobre o "Amor" foram escritos quando eu amargurava uma fossa, e isso é verdade e eu não entendia a razão disso.

Mas, eis que uni os pontos que faltavam. Quando a gente está amando nada daquilo que a gente escreveu ou leu faz sentido. Não tem manual. Os "cinco segredos pra acordar de bom humor" não funcionam. Aquele "chá que cura a ressaca da pessoa amada" não tem efeito nenhum e nem "aquelas 21 palavras para citar numa DR" não dão jeito.

Por que? Porque amar é um desafio, é lidar com o desconhecido diariamente por mais que você esteja casado há 20 anos. É entender que você pode usar palavra errada e acabar com a promessa de um dia feliz. É usar a palavra certa, no momento certo e não ganhar um sorriso. É ver seus planos serem frustrados mais rápidos que a velocidade da luz e mesmo assim, respirar fundo e continuar. 

Amar não tem um manual. E por mais que eu escreva ou leia, nada vai ser além de uma fonte de inspiração para a prova prática. 
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O mistério do amor

terça-feira, 25 de agosto de 2015



Gosto de falar sobre o amor, principalmente dos mistérios que ele envolve. Essa dependência, esse laço, essa vontade, esse desejo. Nem sempre tão saudável, nem sempre tão lúcido, mas sempre intenso.

Para mim, amar não é fazer juras eternas, dizer palavras bonitas, mandar flores - por mais que eu goste de mandar. Amar é dividir a batata frita sem reclamar, ficar sem o cobertor boa parte da noite e perceber que você sempre terá o menor lado da cama, pois contrariando todas as leis, inclusive da física,  quando a gente ama "dois corpos ocupam sim o mesmo espaço" e o resto da cama fica vazio.

Amar é superar os problemas juntos, é conversar numa noite escura de calor e pensar que não queria estar em outro lugar que não fosse ali, naquele colo. 

Amar é perdoar os erros e se arrepender de ter errado. É tentar acertar, mesmo sabendo que as vezes não conseguirá. Amar é ter super poderes para impedir que uma lágrima caia, mas mais ainda ter poder parar estar ao lado depois que ela cair. 

Muitas vezes, durante o amor, você também se sente sozinho, chora sozinho e deseja um minuto de solidão. Mas então, você pensa nas suas escolhas, no quanto seu sorriso é mais completo e no quanto seu coração bate mais forte ao sentir aquele cheiro. E então todos aqueles clichês voltam a fazer sentido. Amar é o melhor dos mistérios e eu quero continuar amando sem precisar decifrá-los. 
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Dez dias

sábado, 6 de junho de 2015






Dez dias. 

É o tempo que deveríamos nos permitir sofrer.

Se a vida tivesse uma manual, o prazo de dez dias estaria inserido no capítulo dos "Amores não vingados", aqueles que duraram uns dias, uma semana, um mês.

Capítulo XXV - Amores Não Vingados

"FICA DECRETADO QUE AMORES NÃO VINGADOS, AQUELES QUE DURARAM ENTRE UMA SEMANA E UM MÊS NÃO DEVEM MACHUCAR, FAZER SOFRER, OU TORTURAR.

PRAZO PARA SUPERAÇÃO: DEZ DIAS CORRIDOS (INCLUINDO FIM DE SEMANA E FERIADOS)"

Dez dias seriam o suficiente bastante para sentar, chorar, sofrer, se questionar, levantar a cabeça, aceitar e continuar. Como manda o figurino. Sem choro, sem dor e sem arrependimento. Deu certo, mas acabou. Seja forte e siga.

O problema é que a vida não tem um manual de uso e quando nos vemos vivendo o "Amores não vingados", choramos, sofremos, queremos matar, queremos morrer. E dói como se uma semana tivesse sido um ano. Um mês machuca como se tivesse sido uma década.

Mas em dez dias tudo muda. Ouvi relatos que a dor de um certo amor foi curada em um dia, após um amor não vingado. Sei que muitos de vocês vão dizer: "então não era amor". Era, acreditem em mim!

Então vai uma dica: Se permitam viver um novo, um próximo, um outro. Cada vez mais e de forma intensa. E se não vingar,  dez dias talvez sejam o suficiente para conhecermos nossa força. Nosso amor próprio.
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Os votos (Desejo)

domingo, 4 de janeiro de 2015


Não fiz  uma retrospectiva de 2014, acho que foi a primeira vez que deixei para lá desde quando criei o blog há alguns anos, mas para o primeiro post de 2015 quero compartilhar com vocês um texto que adoro. 

Há muita discurssão quanto a autoria desse texto, Muitos afirmam ser de Victor Hugo e o intitulam como "Desejo", mas na verdade ele foi escrito por Sérgio Jockymann e se chama "Os Votos". O poema inspirou uma música que também gosto muito chamada "Amor pra recomeçar", gravada pelo Frejat. 

Meu desejo para vocês neste ano que se inicia é descrito no seguinte poema.



"Pois desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado.
E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde mágoa.
Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos e que mesmo maus e inconsequentes sejam corajosos e fiéis.
E que em pelo menos um deles você possa confiar e que confiando não duvide de sua confiança.
E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos, mas na medida exata para que algumas vezes você interprele a respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo para que você não se sinta demasiadamente seguro.
Desejo depois que você seja útil, não insubstituívelmente útil mas razoavelmente útil.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante, não com que os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente.
E que essa tolerância nem se transforme em aplauso nem em permissividade, para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.
Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro não insista em rejuvenescer,
e que sendo velho não se dedique a desesperar.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.
Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, nem um mês e muito menos uma semana,
mas um dia.
Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, talvez agora mesmo, mas se for impossível amanhã de manhã, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes.
E que estão estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.
E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.
Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cão e ouça pelo menos um João-de-barro erguer triunfante seu canto matinal.
Porque assim você se sentirá bom por nada.
Desejo também que você plante uma semente por mais ridículo que seja e acompanhe seu crescimento dia a dia, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano você ponha uma porção dele na sua frente e diga: Isto é meu.
Só para que fique claro quem é o dono de quem.
Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal, não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.
Mas que essa frugalidade não impeça você de abusar quando o abuso se impor.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você. Mas que se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.
Desejo por fim que,
sendo mulher, você tenha um bom homem
e que sendo homem tenha uma boa mulher.
E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez e novamente de agora até o próximo ano acabar.
E que quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda tenham amor pra recomeçar.
E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar"
Sérgio Jockymann 
Publicado no jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre, em 30 de Dezembro de 1978










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Moça, olha só o que te escrevi...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014






Sei que a tua solidão me dói
E que é difícil ser feliz
Mais do que somos todos nós
Você supõe o céu...




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A carne é fraca

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014



"Você planeja terminar um relacionamento. Chegou à conclusão que não quer mais ter a seu lado uma pessoa distante, que não leva nada à sério, que vive contando piadinhas preconceituosas e que não parece estar muito apaixonado. Por que levar a história adiante?" >>>>



Por que, Martha Medeiros? Porque de fato não conseguimos ser vegetarianos e pra ser sincera, cara escritora, criaturas que "derretem-se, consomem-se e não sabem negar-se" não costumam trazer um sorriso enigmático nos lábios, como você diz, mas sim, uma dorzinha no fundo do peito que se formos bem atentos nem vale a pena sentir. Não temos que levar isso adiante, Martha, mas é você mesma quem me diz que "nada é mais vulnerável que o nosso desejo", você tem razão nisso. A carne é realmente fraca e somos de fato idiotas.


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Ser ariano...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014




É falar sem pensar e perder o controle da situação cinco segundos após as palavras terem saído de sua boca;

É encher as frase de exclamação (!) e também exagerar nas interrogações (?) Por que? Por que? Por que?

É ser intenso, dramático e exagerado num curto espaço de tempo;

É perder a sensatez na primeira oportunidade de cometer uma loucura;

É querer se aventurar. É pensar no agora, sem se preocupar com as consequências.

É sofrer as consequências e chorar um oceano de lágrimas.

É lutar pelo que queria, mover céus e terras, fazer das tripas coração, conseguir e por fim enjoar.

É dizer o que pensa, sem parar para pensar que o que pensa pode magoar quem ouve;

É abrir caminhos na frente para que os outros sigam atrás;

É ter doses de sinceridade, é deixar-se confundir com arrogância, ou algo bem escroto do tipo e sofrer;

É ouvir e não guardar os comentários para si;

É amar, desesperadamente, alguém que acabou de conhecer pelos próximos 30 dias que serão eternos;

É entender que tudo vai passar, por isso tem que ser vivido;

É não conseguir ficar quieto, sem dar seus pitacos em tudo;

É apaixonar-se e desapaixonar-se pela mesma pessoa várias vezes no dia;

É ser leal, amigo, camarada e pau para toda obra;

É dizer 80 mil palavras por segundo quando está irritado;

É ser romântico com pessoas erradas e frios com pessoas certas;

É admirar, respeitar e querer bem ao próximo;

É ser auto-confiante e estar sempre pronto para combater as injustiças (ilusão)

É ser alegre, gostar de enfrentar desafios e ir a luta;

É procurar obstáculos para superá-los;

É criar expectativas e frustra-se em seguida;

É querer agora e para já;

É ser impaciente, muitas vezes intolerante e até inconsequente consigo mesmo.

Ser ariano é entregar seu coração com alegria quando admira, respeita e ama e... quebrar a cara.


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Não canse quem te quer bem – Martha Medeiros

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013



“Foi durante o programa Saia Justa que a atriz Camila Morgado, discutindo sobre a chatice dos outros (e a nossa própria), lançou a frase: “Não canse quem te quer bem”. Diz ela que ouviu isso em algum lugar, mas enquanto não consegue lembrar a fonte, dou a ela a posse provisória desse achado. 

Não canse quem te quer bem. Ah, se conseguíssemos manter sob controle nosso ímpeto de apoquentar. Mas não. Uns mais, outros menos, todos passam do limite na arte de encher os tubos. Ou contando uma história que não acaba nunca, ou pior: contando uma história que não acaba nunca cujos protagonistas ninguém jamais ouviu falar. Deveria ser crime inafiançável ficar contando longos casos sobre gente que não conhecemos e por quem não temos o menor interesse. Se for história de doença, então, cadeira elétrica.

Não canse quem te quer bem. Evite repetir sempre a mesma queixa. Desabafar com amigos, ok. Pedir conselho, ok também, é uma demonstração de carinho e confiança. Agora, ficar anos alugando os ouvidos alheios com as mesmas reclamações, dá licença. Troque o disco. Seus amigos gostam tanto de você, merecem saber que você é capaz de diversificar suas lamúrias. 

Não canse quem te quer bem. Garçons foram treinados para te querer bem. Então não peça para trocar todos os ingredientes do risoto que você solicitou – escolha uma pizza e fim. 

Seu namorado te quer muito bem. Não o obrigue a esperar pelos 20 vestidos que você vai experimentar antes de sair – pense antes no que vai usar. E discutir a relação, só uma vez por ano, se não houver outra saída. 

Sua namorada também te quer muito bem. Não a amole pedindo para ela explicar de onde conhece aquele rapaz que cumprimentou na saída do cinema. Ciúme toda hora, por qualquer bobagem, é esgotante. 

Não canse quem te quer bem. Não peça dinheiro emprestado pra quem vai ficar constrangido em negar. Não exija uma dedicatória especial só porque você é parente do autor do livro. E não exagere ao mostrar fotografias. Se o local que você visitou é realmente incrível, mostre três, quatro no máximo. Na verdade, fotografia a gente só mostra pra mãe e para aqueles que também aparecem na foto. 

Não canse quem te quer bem. Não faça seus filhos demonstrarem dotes artísticos (cantar, dançar, tocar violão) na frente das visitas. Por amor a eles e pelas visitas.

Implicâncias quase sempre são demonstrações de afeto. Você não implica com quem te esnoba, apenas com quem possui laços fraternos. Se um amigo é barrigudo, será sobre a barriga dele que faremos piada. Se temos uma amiga que sempre chega atrasada, o atraso dela será brindado com sarcasmo. Se nosso filho é cabeludo, “quando é que tu vai cortar esse cabelo, garoto?” será a pergunta que faremos de segunda a domingo. Implicar é uma maneira de confirmar a intimidade. Mas os íntimos poderiam se elogiar, pra variar.

Não canse quem te quer bem. Se não consegue resistir a dar uma chateada, seja mala com pessoas que não te conhecem. Só esses poderão se afastar, cortar o assunto, te dar um chega pra lá. Quem te quer bem vai te ouvir até o fim e ainda vai fazer de conta que está se divertindo. Coitado. Prive-o desse infortúnio. Ele não tem culpa de gostar de você.”
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Eu amo...

quarta-feira, 13 de novembro de 2013






Eu amo tudo o que foi, 
Tudo o que já não é, 
A dor que já me não dói, 
A antiga e errônea fé, 
O ontem que dor deixou, 
O que deixou alegria 
Só porque foi, e voou 
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa
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Game Over. Perdi!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013


Eu poderia escrever sobre "Coisas que aprendi na vida", mas parando para pensar, acho que no auge dos meus 25 anos ainda não aprendi muita coisa. Isso porque eu continuo fazendo escolhas erradas, sonhando acordada, desejando o impossível e me decepcionando. Essa última parte é a mais constrangedora de todas, pois acho que acabo sendo a única pessoa no mundo que se decepciona com algo que de fato nunca existiu. 

Alguém já falou que a vida não é complicada, mas sim a gente que a complica. E quer saber? Eu acho que é isso mesmo. No meu caso, eu complico ainda um pouquinho mais, pois me apago a tal desejo com tanta vontade, mas tanta vontade que quando não dá certo (na maioria das vezes) eu fico triste e abalada. 

Deveríamos ter um manual de como ser adulto, porque ninguém fala para a gente, quando criança, o quanto é difícil viver nesse mundo real, completamente avassalador e diferente do que o mundo que criamos dentro da nossa cabeça. Preciso aprender um monte de coisa ainda e uma delas é que viver de sonhos não é possível, que enquanto a gente sonha, alguém vai lá, faz e rouba algo que "poderia" ter sido seu. Esse verbo no futuro do pretérito do indicativo acaba expressando exatamente o tão ridículo que toda essa situação é. Eu não fiz nada.

Mais um motivo para ficar triste? Eu preferiria não ficar. Afinal de contas, não podemos culpar sonhos que nunca foram (mas tiveram a inútil pretensão de ser) realidade. Até porque não movi uma palha para que isso ocorresse. Pelo contrário, me escondi e escondo atrás da minha timidez disfarçada de bom humor. Então, o que me resta é escrever sobre minha frustração acompanhada do meu recalque e despeito de quem te fez, faz e fará feliz. E o melhor de tudo, você não faz ideia de quem eu seja, sou e sinto por você. 

Game Over para mim!

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O que os olhos não vêem, sentimos sim

segunda-feira, 12 de agosto de 2013



O que os olhos não vêem o coração não sente? Costumo pensar que sim. Porque, por mais que tudo passe, tudo mude e os tempos sejam outros algumas coisas sempre vão doer e talvez nunca serão bem aceitas. Então o melhor de tudo isso seria de fato não procurar saber.  

Me pergunto se tudo nessa vida é superável e para ser sincera eu não sei a resposta. Muitos dirão que sim, podemos superar as adversidades, as mudanças, as novas escolhas, mas não tenho certeza, pois sempre existirão as lembranças, o passado e a história. E os sonhos a noite? Como controlá-los?Não há como explicá-los e acordar com um aperto no peito no meio da madrugada nos remeterão à perguntas que não teremos respostas e situações que de fato não queremos enfrentar.


Confesso que não tenho algumas coragens, como esbarrar no perfil da rede social e ver no status o "em um relacionamento sério com". A melhor coisa a fazer? Não ver. É, não ver, porque aí não saberemos e se não sentimos, não dói. Eu espero que seja assim. Acho que com isso chego a conclusão de que nem tudo nessa vida é superável e isso é uma droga. Martha Medeiros já diria que "a saudade mais dolorida é saudade de quem se ama" e ela mesma me ensina que só o fato de não querer saber é "saudade". 

Tenho saudade, muita saudade. Mas eu também "não quero nunca mais saber", mas ainda assim dói. E não sei explicar isso. Talvez apenas não vendo, falando, mas eu ainda não sei o que fazer com os meus dias mais compridos... 

"Não te dizer o que penso já é pensar em dizer"
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Quero só exceções

sábado, 3 de agosto de 2013




"O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções" 
Clarice Lispector



Sabe quando não é mais a mesma coisa? Quando não faz sentido você estar ali? Quando não há nada em comum e a conversa não é interessante? Pois é, esse é um vazio que muito de nós em algum momento de nossas vidas vamos enfrentar. E não digo isso me referindo apenas a um relacionamento amoroso, mas de amizade, no profissional, essas coisas. 

Uma das piores sensações do mundo é você perceber uma forçação de barra, como se quisesse distanciar o fim, mas sem muita empolgação, sem muito celeridade, ou o que chamamos de empurrar com a barriga. As vezes sinto que é bem isso. Até a conversa fica chata, não há assuntos em comum, não há nada de interessante ou que venha a se tornar interessante. Odeio fazer coisas como se fosse uma obrigação. Essa ideia não me agrada.


Confesso que eu espero das pessoas um pouco de "descontrole". Ninguém precisa fazer tudo certinho sempre e confesso ainda que gostaria muito que algumas pessoas agissem com o coração pelo menos uma vez na vida e não com a razão sempre para saber o quanto é deliciosamente perigoso viver assim. Eu só queria que algumas pessoas, e uma em especial, fosse inconsequente, pelo menos uma vez, que não pensasse antes de agir e apenas fizesse... Acho que eu seria uma amiga mais feliz. Monotonia me causa aflição. 


Sei que é pedir de mais isso das pessoas, ninguém é obrigado a ser igual a mim, mas também muito diferente não dá. Posso ser sincera? não gosto de pessoas muito diferente de mim. Se podemos escolher os amigos, por que escolher quem não gostamos? ou quem não temos nada em comum? ou quem não nos faz sentir bem e a vontade para ter uma boa e descomprometida conversa?

Amizade que se tem que pisar em ovos não pode ser verdadeira e amizade sem um pouco de ação também não é amizade, é relatório de produção para o chefe no escritório. Não quero viver fazendo relatórios, só espero um pouco mais de emoção e menos razão de vocês.


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O destino

sexta-feira, 2 de agosto de 2013



Quando eu abri esse post era para falar sobre "pessoas sensitivas", mas acabou que no meio da correria parei para pensar em outro assunto que de certa forma, se entrelaça com o anterior em algum momento: O destino.

O destino é algo que me impressiona e sempre vai impressionar. Essa semana coincidentemente ouvi algumas histórias e quando estou sozinha eu gosto de pensar nas coisas que ouvi durante meu dia. E botando tudo no calderão, eu pensei comigo mesma: "como a gente não tem controle de nada". Mas, talvez a pergunta que nós devemos fazer seja: "o que estamos fazendo aqui?".


Há o que costumos denifir como "confusão" que fazemos quanto o assunto em pauta é o "destino", pois é comum surgir a dúvida do que seria o "acaso" e a "coincidência". Eu particularmente não acredito nos dois últimos, mas essa é a minha opinião.

Acredito que não atravessamos o caminho de outras pessoas sem alguma razão. Sei também que as coisas não acontecem por acaso e se algo aconteceu é porque tinha que acontecer. Mas para vocês, não é louco pensarmos que já temos um destino traçado e não podemos mudar? Mais ou menos aquilo, nossa vida já é um livro com todas as páginas escritas e só precisamos vivê-las? Eu pensava assim, mas hoje eu acho que "louco" não seria a palavra certa. E acho que podemos pular umas páginas do livro ou rasgar algumas páginas. 

Pessoas que não deveriam estar no avião e estavam, pessoas que deveriam ter viajado naquele dia, tiveram imprevistos, contratempos, outros compromissos e não viajaram. Viveram e não morreram em um trágico acidente áereo. Pessoas que passaram toda nossa vida sem nos conhecer, entram de repente, mudam nosso caminho e simplesmente nos deixam. Pessoas que aprendemos a amar e morrem, se afastam, somem, vão embora... Cumpriram seu papel, naquele momento, naquela fase e assim como entraram, saíram das nossas vidas. Isso tudo foi importante para quem? Qual a nossa missão?

Certamente essas são perguntas que não teremos respostas, não nesse plano. Estamos no meio de ciclo e por mais que a gente não entenda no momento o real motivo é bom aproveitarmos cada nova oportunidade que a vida nos oferece. Mas uma coisa é certa, temos que cumprir nosso destino. 

"O destino se encarrega de explicar, futuramente, 
as coisas que por hora não conseguimos compreender"
Aline M. Abdalah


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Ciúme é besteira

sexta-feira, 26 de julho de 2013




Ciúme é besteira.
Ciúme é amor verde, amor que não chegou no seu melhor tempo.
Preocupar-se com o outro é de lei para quem ama, mas não para lhe tirar o oxigênio, para lhe fazer mudar o trajeto, para lhe silenciar as palavras, para lhe fazer engolir sua liberdade de escolha, de ir e vir.
Ciúme é um agrotóxico no jardim do afeto: pode até aparentar não ter bichos, mas ele é o próprio bicho. Ciúme bom é o do zelo, o tranquilo, o do cuidado, o do 'estou prestando atenção em ti porque me importo'. Ciúme bom é o que consegue rir da vã tentativa dos outros de tentar beliscar o que é aparenta ser nosso e nem é.
O amor maduro faz do ciúme um atestado de afeto, não uma causa de tormento.
O amor maduro não faz do ciúme uma arma contra o outro, o oprimindo, o constrangendo.
Para o amor maduro, o ciúme não passa de um recado contínuo de que aqui, o nosso colo, é o melhor lugar do parceiro.

Sérgio Freire


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A dor que dói mais

quarta-feira, 10 de julho de 2013



"Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.

Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos.

Dóem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é não saber.

Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu.

Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer".

Martha Medeiros
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Se atraem "pero no" se entendem

segunda-feira, 10 de junho de 2013



Sério, esse negócio de que os opostos se atraem pode até ser verdade, mas que começam a dar choque tempos depois, isso é a mais pura realidade. E tudo fica um saco, as diferenças irritam, você já começa a achar que tudo é implicância e vai perdendo a paciência e chega o momento que você tem a quase certeza que a pessoa tem, exclusivamente, a única intenção de te tirar do sério!

As diferenças me irritam e conversava sobre isso por esses dias com uma colega. Falava sobre o porque de querer alguém como eu. Não que isso seja a melhor alternativa do mundo, mas já que é para se pensar em viver juntos e no tal pra sempre, por que não alguém com o seu mesmo jeitinho? Daí me disseram: "Não importa, os opostos sempre se atraem". Eu respondi: "já tive minha dose de diferença para toda a vida, estou dispensando o oposto". Falei brincando, mas, sério, Universo, por favor, só 60% parecido comigo, já tá bom! ;) 


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Até que a morte nos separe

domingo, 9 de junho de 2013


Para sensibilizar a população de Portugal sobre a violência contra mulheres, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima lançou, no final do ano passado, uma campanha que inclui retratos de duas vítimas. Ambas apresentam marcas da agressão e estão vestidas de noiva. Ao lado das imagens, a frase “até que a morte nos separe”, que sugere o crescente número de mulheres assassinadas por seus maridos. (Via Feminismo sem demagogia)


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Um pouco de anteção

segunda-feira, 25 de março de 2013


Em alguns momentos da nossa vida agimos sem pensar. Perdemos o controle de tudo e em um segundo tudo muda. Há alguns dias estive conversando sobre isso com uma pessoa que não é do meu círculo de amizade para eu ter intimidade de falar sobre esses assuntos, aliás nunca tínhamos trocado uma palavra se quer. Mas por ironia do destino, ou algo do tipo, me vi incluída em seu mundo, mesmo que por alguns dias, compartilhando angústias, risos, problemas, dúvidas e medo.

Falávamos de como não estamos no controlo de nada, como nossos planos, sonhos e projetos podem ser destruídos ao dobrarmos a esquina, ao sairmos de casa, ao atendermos uma ligação... Para ser sincera, a sensação de não ter o controle em suas mãos é angustiante. Ou melhor dizendo, a sensação de perder o controle é dolorida.

As vezes acho que precisamos de um pouco de atenção e agimos errado justamente para cobrar isso de quem deveria estar perto da gente e não está. Acho que vi isso num filme e me chamou atenção, na verdade me fez entender algumas coisas que antes eu não entendia. Ficar perto, nem sempre significa estar junto e isso pode causar muita dor. Na real, percebi tudo isso durante algumas horas de conversa e desejei não estar naquela situação. Ao tentar solucionar isso, você pode gerar mais problemas. Sempre alguém sairá machucado.  

E é por querer um pouco de atenção que nos aproximamos do erro. Deveríamos pensar mais antes de agir, mas fazemos justamente o contrário agimos sem pensar nas consequências, confiamos na primeira pessoa que aparece na nossa frente sem se importar se vamos destruir sua vida, ou não ao "usá-la" mesmo sem saber, querer, ou ter a intenção disto.   E quando vamos ver, a atenção que tanto esperávamos acaba vindo da pior forma. E o fim dessa história sempre será um conto diferente.

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Conto: Grãozinho de arroz

domingo, 24 de fevereiro de 2013


Levei um soco. Ou uma paulada na cabeça sei lá. Acho que não foi a primeira vez, mas de qualquer formar sempre que eu ouvir isso meu mundo vai cair. Não sentir "nada" é algo grave, pois eu sempre acreditei que no "fim de tudo" sempre restava um pouquinho do tamanho de um grão de arroz enterrado lá no fundo do peito de uma pessoa qualquer mesmo ciente que não há nenhum pingo de esperança. Mas foi tudo tão claro, tão violento, tão verdadeiro..."não tem nada, acabou com tudo aos poucos. Não sinto nada". Eu como uma boa mente neurótica começo a achar que de fato nunca teve, que foi tudo uma confusão e que na verdade o Amor nunca existiu. Antes fosse isso. Eu realmente queria que fosse isso, pois doeria menos ouvir que não tem nenhum grãozinho de arroz e não haveria lágrimas também. 
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